quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Na impureza do intento

Aqui, há uma biografia de ti
um ponto em que te revelas
talvez fragmentos da pele
lembranças de um café
na manhã mal desenhada.

Era tarde para nossa pressa
mas sempre é tarde para tudo.
Nascimento, maturação, morte
sofrem do mesmo atraso perpétuo.

Não há início ou fim
quando o clarão
me devolve tua voz.

Alcanço sombras alheias
sinto a respiração
que não é minha.

Lentamente escrevo teu nome
na impureza do intento.

Algum soluço, no entanto,
nos libertará.

Aurora, 20/XII/2010.

2 Comentários:

Às quinta-feira, dezembro 30, 2010 , Blogger Arsenio disse...

Grande Sama: Golaço. No ângulo, de fora da área.

O que os velhos cronistas esportivos chamavam de pombo sem asas, esse poema com asas, guarda a virtude de toda grande poesia: todo poema precisa de um indício de incêndio para chamar-se Poema.

Esse é o próprio incêndio transfigurado, meu velho.

Salve.

 
Às sábado, fevereiro 12, 2011 , Anonymous Anônimo disse...

gostei !
seiva

 

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