domingo, 26 de setembro de 2010

Consolações

Seguir o movimento das flores
abandonar as cicatrizes
mover as pálpebras rumo ao poente
e sobretudo
transfigurar a luz.

Considerar as mãos
terras inigualáveis
de onde tudo surge.

Seguir o movimento das aves
dos animais que sangram
em nosso nome.

Lembrar do silêncio
tratá-lo como um irmão recente
pronto para a vida
embora frágil.

Seguir o movimento das flores
abandonar as cicatrizes
que ainda virão
mover as pálpébrar rumo ao poente
e sobretudo
transfigurar o espanto.

Madrid, 23.09.2010

6 Comentários:

Às domingo, setembro 26, 2010 , Blogger Arsenio disse...

Esse poema de Sama ratifica outro poema de Gullar:

"SUBVERSIVA

A poesia
Quando chega
Não respeita nada.

Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
De qualquer de seus abismos

Desconhece o Estado e a Sociedade Civil
Infringe o Código de Águas
Relincha

Como puta
Nova
Em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
Reconsidera: beija
Nos olhos os que ganham mal
Embala no colo
Os que têm sede de felicidade
E de justiça.

E promete incendiar o país."

E CONSOLAÇÕES vai além.

Leio um trecho de Keats:

"A poesia nos deve surpreender pelo seu delicado excesso e não porque é diferente. Os versos devem tocar nosso próximo, como se ele tivesse lembrado algo que nas noites dos tempos já conhecia em seu coração.

A beleza de um poema não está na capacidade que ele tem de deixar o leitor contente. A poesia é sempre uma surpresa, capaz de nos tirar a respiração por alguns momentos. Ela deve permanecer em nossas vidas como o pôr-do-sol: Algo milagroso e natural ao mesmo tempo."

E não preciso dizer mais nada.
O poema de Sama faz jus ao decreto de Keats.
Saludos.
Avante.

Valeu, Sama.

 
Às segunda-feira, setembro 27, 2010 , Blogger quelflorzinha disse...

SER
O MEU SER É SER
QUANDO NÓS PASSA A SER UM
E QUANDO UM EXISTE.
NÓS É UM TODO INTEGRADO.
SER NÓS E UM EM UM SÓ
É QUESTÃO DE VIDA OU MORTE
OU EXISTÊNCIA DE UM
E NÓS SOLIDÃO... SOIDÃO... SOFRIDÃO...
QUEM QUER SER UM
SEM SÊ-LO NÓS,
NÃO É SER
É PADECER DE UMA ALMA INEXISTENTE
ENTÃO SE SER NÓS, EM UM, BASTA?
SEREMOS NÓS
NA MAIS COMPLETA INDEFINIÇÃO.

RAQUEL ARAÚJO DE VASCONCELOS

 
Às segunda-feira, setembro 27, 2010 , Blogger Magna Santos disse...

Nossa, Sama, fiquei igual descrito na declaração de Keats: sem fôlego. Lindo, lindo, lindo! Desculpe a falta de palavras ou a igualdade delas...é que ainda estou sob impacto deste poema teu.
Muito bom começar a semana com consolações tão reais.

Arsênio, você e suas contribuições...que mais um ser humano pode querer da vida a não ser a realidade da poesia e estas consolações diárias?

Beijos!
Fiquem com Deus!
Magna

 
Às segunda-feira, setembro 27, 2010 , Anonymous sirley disse...

Lindo, lindo!

 
Às segunda-feira, setembro 27, 2010 , Blogger Aivlis Sego disse...

tum-tum-tum-tum-tum-tumtumtumtum

 
Às terça-feira, setembro 28, 2010 , Blogger Aivlis Sego disse...

sim, bela "viagem ao crepúsculo"...

 

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