domingo, 19 de agosto de 2007

Carbono 14

Não me cabe cerzir
As camisas do futuro

Tampouco amparar o anjo bêbado
Esquecido no jardim
Da casa vazia

Não me convém
Buscar em Montevidéu
As chaves do meu cofre vazio

Não devem ser
Os ossos do meu corpo
Os fósseis do futuro

Nunca deverei ser chamado
ao Carbono 14
Para provar minha derrota
Ao tempo

Me compete somente
Amarrar as estrelas
Nos cadarços dos teus sapatos.

1 Comentários:

Às sexta-feira, agosto 24, 2007 , Anonymous Anônimo disse...

cadarços, cintos, fios, cordas, linhas, camisas, roupas, cacos de prisão. amarras também morrem? tudo inflamável ao redor da ferida sufocada dentro dos sapatos. que as estrelas incendeiem o pedaço de céu de onde são colhidas e que o homem voe descalço entre as nuvens do seu poço e possa mergulhar os pés na água limpa e azul do seu oásis escuro, nascente, não de outras águas, de outros sóis.
então enfeita de estrelas soltas os meus tornozelos, livres para dançar sobre os meus pés, sem sapatos entre as raízes e a terra. não, não são amarras as minhas raízes, elas não me prendem ao chão. são só a origem do caule, das folhas, dos galhos, das flores e dos frutos que me libertam para o alto, abrigam pássaros antes e depois do vôo. são feias, tortas, cheias das primeiras dores e são alimentadas o tempo todo pela água azul de outro oásis escuro, onde mora a minha lágrima e o meu riso. foi misturando sangue ao mel que aprendi a fazer doce de frutos apodrecidos. desculpa, só sei comer de boca aberta, mas em silêncio.
un petit bisou pour toi

 

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