segunda-feira, 28 de março de 2011

Poema nº 1

Havia algo encravado
como a linha na sombra
o prego sobrando
na parede sem casa

Não soubemos deflagrar
os despojos
o espanto devorou nosso orgulho

Fomos fragatas obscuras
no mar desenhado
por uma criança sem nome.

Viramos cartas sem resposta
livros que morrem
nas enchentes
cheios de si
tão indecifráveis.

Buíque, 26.04.2008

2 Comentários:

Às terça-feira, março 29, 2011 , Blogger Arsenio disse...

Esse poema - reparem na última estrofe - revela um vestígio drummondiano: a pesada noite do verso conclusivo, aos ombros da humanidade, revela o parentesco ou liame incontornável do homem com a solidão, com o não encontrar-se. Não precisa de números (são enigmas eternos).

Paradoxalmente suave, conciso e denso, lembra um verso de Mariane Moore: " o sentimento se mostra sempre em silêncio".

É uma poética pesoalíssima, ousada, livre de atavios, evidenciado uma afinidade com a penúria humana, uma afdinidade precisa, como se a palavra fosse de luz e pedra.

Um poema que ultrapassa a memória, pela desmemória das coisas que querem existir.

 
Às quarta-feira, abril 06, 2011 , Blogger Thaís Nóbrega disse...

aqui é que nem panela velha...quanto mais velha, melhor.

:)

 

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