quinta-feira, 8 de julho de 2010

Lágrimas

Lágrimas: Eu as tenho
Eu as uso
em minha defesa
em meu socorro.

Lágrimas nunca
me afogaram.

Lágrimas
nunca mataram
minha sede.

Lágrimas criaram lodo
em meus olhos
e fiquei úmido
por dentro.

Deixe que eu diga, então:
Minhas lágrimas são o meu sangue
que circula fora do corpo.

Recife, 17/06/2010.

Nota: Poema lido no Sarau Interpoética, dia 7/07/207, minha primeira participação em um sarau, aos 41 anos.
Para Stella Maris e Cida Pedrosa.

10 Comentários:

Às quinta-feira, julho 08, 2010 , Blogger Arsenio disse...

Aqui, nesse poema, a imagem não assume um caráter meramente ornamental e decorativo.

Em verdade, há o sentido da metáfora, mas nenhuma palavra se perde de todo nesse conjunto, quando analisa-se o sentido.

Não existe vagueza de expressão, nem mesmo ambiguidade ou multiplicidade de sentidos ou significados; mas em tudo, ao contrário, o leitor avisado há de perceber uma segurança no poema, uma precisão, certeza até do que costuma-se rotular como incerto (as próprias lágrimas revelam dores inimagináveis na alma e no corpo).

Portanto, o poema metaforicamente expresso (ungindo vivência e sensações) é o ensaio para uma percepção de que o tempo e o contínuo fluxo, provocaram úlceras, mas não denunciam no poeta desalento qualquer capaz de impedir sua caminhada.

Enfim, o poema apresenta uma nitidez, um realismo, de que só é vedadeiramente capaz o idioma da Poesia.

Ocorreu-me agora um trecho da prosa de Drummond (acho que está em "Confissões de Minas"). Vou ver e se conferir com o que estou pensando, trago para o blog.
Abraços

 
Às quinta-feira, julho 08, 2010 , Blogger Arsenio disse...

Esqueci, mas lembrei: o interpoética é de primeira qualidade. Belo trabalho de Cida Pedrosa e do todo o pessoal.

E achei a lição de Carlos Drummond de Andrade:

" Entendo que poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero honesto rotular-se de poeta quem apenas verseje por dor-de-cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação. "

Na minha opinião, Samarone sacou tudo isso. É dos bons e pode rotular-se Poeta. Reafirmo: não sou crítico, nem jornalista, nem frequentador de rodas literárias, nem versejador frustrado, nem prosador idem, nem pretenso blogueiro, nem nada disso ou aquiloutro.

Apenas tenho minha opinião. E gosto, logicamente, de ler. E a Poesia manda.

 
Às sexta-feira, julho 09, 2010 , Anonymous Sirley disse...

Muito lindo...
de mobilizar lágrimas.
abraços,

 
Às sexta-feira, julho 09, 2010 , Blogger Samarone Lima disse...

Arsênio, esses seus comentários deixam o cara contente pra danar.
Aviso que tenho cadernos e cadernos de poesias para postar.
Samarone

 
Às sexta-feira, julho 09, 2010 , Blogger Arsenio disse...

Vamos em frente!
Como diria meu saudoso avô, o tempo urge.
Manda na lata, que eu escrevo.
A sinceridade é o único norte.
Não há outro.
Abraços

 
Às sexta-feira, julho 09, 2010 , Anonymous Anônimo disse...

Está feliz? QuemerosPoemas cheio de comentários bacanas! beijos. Yvette

 
Às sexta-feira, julho 09, 2010 , Anonymous Anônimo disse...

Vixe, que lindo!!!!!!
Amei.Bjos. Ana

 
Às quarta-feira, julho 14, 2010 , Anonymous Anônimo disse...

Vixe, que bosta!!!!!!
Amei.Bjos. Anus.

 
Às quarta-feira, julho 21, 2010 , Blogger Wanessa disse...

Não o conhecia como poeta, muito bom.
Estou lendo com prazer e deleite!
Lágrimas necessárias!
Abraços

 
Às quarta-feira, julho 28, 2010 , Blogger Lisandra disse...

Olá

Sou a lisandra-que-leu-seu-livro-sobre-Cuba.
Então...dia desses li essa sua poesia e uns dias mais adiante estava lendo “Caprichos & relaxos”, de Leminski, quando vi uma coisinha que me lembrou imediatamente do seu blog e do seu poema:

“Enxuga aí

Vê se enxerga

Essa lágrima
Eu deixei cair

Examina

Examina bem

Vê se não é
Água da pedra
Ouro da mina
Essa gotadágua

Minha
Obra-prima”
(Paulo Leminski)

:)

 

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