terça-feira, 29 de junho de 2010

O perdão

O perdão sobe à mesa
limpa os lábios
nos guardanapos de ontem.

Nunca
seus frutos são maduros
nem afável
sua primavera.

O perdão hesita
em contemplar seus medos.

Mesmo assim,
uma aurora brilha em seus cabelos
quando, desarmado,
consente.

Recife, abril de 2010.

4 Comentários:

Às terça-feira, junho 29, 2010 , Blogger Arsenio disse...

Samarone, o meu e-mail podes pegar com o Inácio França. De toda sorte, retornei e li mais esse petardo.

Li suas crônicas, uma boa parte delas, neste meu período sabático.
E obviamente, me diverti, e consegui extrair o bom humor, a ironia e o lirismo que os teus textos carregam. É um coloquialismo que não se prende ao lugar comum.

Sobretudo, enxerguei humanidade.
Mas prefiro os poemas.

Seria uma temeridade abandonar a poesia. Mesmo que saibamos o quão difícil é a missão do poeta.

Poucos gostam. Mas e daí?
Os que não gostam, que comam menos.

O seu poema 'O PERDÃO", na leitura que fiz, me deu a seguinte visão: poesia de precisão máxima, carrega no entanto uma tensão, não totalmente inquietante. Essa tensão deságua nos versos finais, que apesar de previsíveis, fazem boa figura.

Poesia não é filosofia transcendental rimada, nem manifesto político metrificado. É, sim, uma condensação significativa de palavras, e o princípio individual dessa coordenação é o estilo do poeta.

E estilo é o que não lhe falta, daí ser uma sacanagem se abanodonares os poemas.
Abraços

Arsenio

 
Às terça-feira, junho 29, 2010 , Anonymous Anônimo disse...

Arsenio, vai ser dificil abandonar, porque escrevo diariamente e tenho um bom lote de cadernos cheios.
Digamos que saí do armário no que se refere à poesia.
A festa está só começando.
samarone

 
Às terça-feira, junho 29, 2010 , Blogger Arsenio disse...

A publicação em livro, então, está em pauta?
Pensei que você havia retomado por abandono.
Tanto melhor.
O poema Cicratizes, por exemplo, merece repousar nas página da sagrada instituição chamada livro.

 
Às quarta-feira, julho 28, 2010 , Blogger Lisandra disse...

Eita, que eu ia ler os poemas aos poucos, porque cada poesia traz um mundo de significados, e é preciso parar em cada uma, sobretudo quando se lê tomando vinho. Mas antes de fechar a página passei por esta sobre o perdão e gostei bastante. Na minha cabeça ligeiramente etílica, o perdão, na sua poesia, virou um "ente" vivo, com determinação própria, que para acontecer precisa se desarmar e consentir. Bom, se não for essa a idéia da tua poesia, não faz mal, porque eu gosto de criar significados, e depois que você publica, aí, amigo, a poesia passa a pertencer um pouco a quem lê.
Então...gostei bastante porque não aguento mais essa coisa de todo mundo achar que todos têm o dever de perdoar...quando chega a hora, quando a raiva espontaneamente se vai, o perdão simplesmente se impõe. Antes disso, não adianta nem tentar.

 

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