quinta-feira, 15 de abril de 2010

Palavras

Tu me dizias que o amor
tinha esse pó da loucura

Mas na tua ausência
eu não sabia onde pousar as mãos.

Alucinações migraram para meu coração
que se tornou uma roda imperfeita.

Um dia, o inverno declinou
e as janelas foram fechadas
por dentro.

Triunfo, 14 de abril de 2010.

1 Comentários:

Às terça-feira, junho 29, 2010 , Blogger Arsenio disse...

Poemaço.

Lembrou-me a lógica sobrepujada, estraçalhada pela emoção ,aidna que resignada ou contida.

É preciso citar Drummond, em poema essencial e mítico. Ele escreveu pensando em Ana Cristina César, poeta bem mais nova que ele, cerca de 50 anos mais nova, portanto de outra geração (a chamada geração marginal), que em 1983, pulou do º andar e tinha adoração pelo Poeta Maior:

Ausência

"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Pensando em Ana Cristina César."

Carlos Drummond de Andrade

 

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