segunda-feira, 5 de junho de 2006

Auto grafia

Investigo certas ternuras
Conto os degraus antes de subir
Sei o nome de cada pássaro
E seu estado civil

Abro janelas com o pensamento
Escorrego a cada banho de chuva
Rio eternamente das péssimas piadas
(tanto que me faltam os dentes
da frente)

Costumo tossir até a morte
(nas tardes de sábado)
Levo topadas na grama macia
E lenço praga aos deuses
Por ter dois dedões nos pés

Mas me dói completamente mesmo
É queimar os lábios
Cada vez que tomo café
E quando vou te beijar
Recebo reclamações
Do meu gosto de pomada

Ah, tu não sabes como doem as feridas
Antes de virarem cicatrizes?

Por Samarone Lima

1 Comentários:

Às quarta-feira, junho 07, 2006 , Anonymous Anônimo disse...

"Ah, tua distância tão amiga
e esta ternura tão antiga
e o desencanto de esperar..."
Estado civil: cansada.

 

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