segunda-feira, 24 de abril de 2006

O amanhã

Por Samarone Lima

Todos os dias pela manhã
quando morro sem perceber
alguma janela se abre
alguma janela simplesmente
se abre

Meu cadáver segue pelas ruas
meu cortejo se expande
pelas mãos dos amigos
enquanto algumas mulheres
compram o pão
simplesmente compram o pão

Finalmente,
quando a ternura me engole
mastiga meus ossinhos brancos
e sou apenas letras no mármore
da lembrança
o homem da venda
cobra um velho débito
e um cliente zangado
diz que só pagará amanhã
como se houvesse mesmo
o que chamam de amanhã.

1 Comentários:

Às sábado, abril 29, 2006 , Anonymous Anônimo disse...

Amanhã virá com certeza e com o sol.
Se poderar então saborear uma delícia de abacaxi diante de margaridas.

 

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