quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

Um poema

Samarone Lima


Queria um poema
Que tivesse a lembrança da tosse
O orvalho das incertezas
O silêncio das cadeiras
No fim de cada sessão

Que falasse dos suicidas
Que mesmo sem terem saltado
Nunca sobreviveram

Que tivesse a batida de uma palavra
Entre os dentes da mulher amada.

Um poema que coubesse
No intervalo dos teus lábios
Nas goteiras de velhas casas
Em algum canto de tuas costas,
Onde as lembranças falham

Um poema que fosse ácido nos olhos do tempo
Que fosse tão esperado
Como tuas mãos

Um poema que não precisasse das minhas palavras
Nem do meu corpo
Nem da minha dor

3 Comentários:

Às quarta-feira, dezembro 14, 2005 , Blogger Adri disse...

Aviciei de novo. Consummatum est. O breu aceso desse cantinho de nadas é uma coisa, puxa vida...
Saúde, Poeta. E olhos pra ver...

 
Às quinta-feira, dezembro 15, 2005 , Anonymous Gustavo disse...

breu aceso

aceso de gentes

gentes sã

gentes sem nome

sã marone.



p.s. gustavo e adrianas também...

 
Às sexta-feira, dezembro 16, 2005 , Blogger Adri disse...

"Todo mundo precisa de beijo..."
Sama, Gustavo e Adrianas também.
Beijo, Gentes.

 

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