segunda-feira, 21 de novembro de 2005

Pequena cosmovisão do homem

Pequena cosmovisão do homem

(Gustavo de castro e Silva,
para Rainer Maria Rilke)

Para viver meu caro, não necessitas muito.
Um ou dois abraços sinceros, um amor,
uma esperança, a lembrança de um piano,
o caminhar na floresta, o mar, a sineta
de um silêncio.

Para viver meu caro, não necessitas muito.
Dificuldades por todos os lados, uma dor,
alguns versos íntimos, um poema banal
a escutar você quando nada mais restar.

Para viver meu caro, não necessitas muito.
A sorte de encontrar um livro que seja você
nas palavras, vírgulas, espaços, hiatos mudos,
para que a solidão seja apenas a parte calada
de teu falar.

Para viver meu caro, não necessitas muito.
Um dia de chuva, a visão das águas correntes,
a face dos que envelhecem, um café, a caneca,
um cigarro, algumas lutas, uma vitória
nem que apenas no futebol
de botão.

Para viver meu caro, não necessitas muito.
Creres que nada permanece igual sempre
e a todo instante tudo muda, tudo muda
na eternidade de seu impermanente
mudar.

Para viver meu caro, necessitas suportar,
ser teu amigo íntimo, dar-se as mãos,
não temer
não temer
te acompanhar.

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