terça-feira, 8 de novembro de 2005

Insurgências

Meu nascedouro foi ocupado
por insurgências

Cresci a meu modo
sonâmbulo e desigual
arvorando-me desarmado
e mesmo assim, cúmplice

Na última parte dos desejos
pintei camisas bordadas
e bebi vinhos doces
tão amargos, porém

Foram chuvas que me levaram
foram lágrimas que me lavaram
e eu segui,
sentindo em cada talho
um pequeno desconforto

Mas a madeira do meu corpo
não cresceu a tempo
ficou o ferro dos dentes
resultou a pedra e o mármore dos olhos

Tecerei em silêncio
a forma que me devolva
o nascedouro ocupado.

2 Comentários:

Às terça-feira, novembro 08, 2005 , Blogger Mack Costa disse...

Quero ser, agora, apenas o registro do primeiro entre tantos comentários e poesias que aqui receberão abrigo.

Que belo presente recebemos!

 
Às domingo, novembro 13, 2005 , Blogger Adri disse...

"... é uma máquina de produzir coisas (fundamentais), é impressionante". Desassossegado, para nosso deleite...

 

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