terça-feira, 10 de julho de 2012

Heranças

Herdei demais.
Agora me compete a febre do excesso
(embora a busca da opulência do pouco).
Febres sazonais
(palavras que não eram minhas)
quebraram ossos, janelas,
arranharam paredes,
ruínas.
O relento
passeia em minha alegria.
Me torno o filho adotivo
que cria um sangue novo
próximo ao veneno.
Me torno
o que recebe mais
do que lhe foi dado.
O esplendor, cabisbaixo, me espreita.
A cada manhã estendo as mãos
e peço descuplas
à própria palmatória.
Garanhuns, 04/07/2012.

2 Comentários:

Às segunda-feira, julho 16, 2012 , Blogger Su M. disse...

Perfeito.

 
Às quarta-feira, novembro 07, 2012 , Blogger Rodrigo Ramos disse...

Adorei. Vi, por acaso, a divulgação do lançamento do livro. Fui conferir o blog. Preciva destes poemas. Tem algo de um Drummond anos 30, mas diferente!!! Tem algo do Bandeira, mas difernte!!! Tem algo.

 

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