segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A busca da memória


Saio à procura de memórias, palavras,
Murmúrios.
Encontro apenas escadas, corredores,
Maçanetas geladas
De lugares que nunca vi.

De nada adianta
Esta busca frenética:
Tudo está no subsolo.

O esquecimento passa, arando.
O esquecimento anda com uma sacola
Cheia de outras sementes
(é aleatório em seus costumes. Ama e esquece. Ama e malquer. Não ama e diz Amor).

Melhor não buscar, Samarone.

Aquieta-te.
Amordaça teu desejo de alcançar
O que já nem sombra é.
Nunca foi.

Deixa a memória adormeça.

Que se proteja
Como as vítimas do frio
Apenas se tocando
Em gestos impulsivos
Em silêncio.

Apenas se tocando
Se aquecendo.

Apenas morrendo. 

1 Comentários:

Às quinta-feira, maio 30, 2013 , Anonymous Nanda Gouvêa disse...

Muito lindo, a procura é inútil e ilusória.

 

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